Construção do lançador de satélites brasileiro pode não ser concluída

No último dia 26, o vice-director do Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA), Wander Golfetto, afirmou que um dos mais emblemáticos programas de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil – a construção do Veículo Lançador de Satélite (VLS-1) – pode não ser concluído. Golfetto afirmou em audiência pública na Câmara dos Deputados que o provável encerramento deste se deve à falta de verba, recursos humanos qualificados e dificuldades tecnológicas.

Os recursos (previstos no Programa Nacional de Atividades Espaciais – Pnae) eram de R$ 155 milhões e, até a presente data, foram executados R$ 108 milhões. Previa-se que até o final do ano o veículo estaria completamente finalizado, porém hoje o planejamento é para testar parte do foguete no fim de 2016. Golfetto acrescenta que os problemas para desenvolvimento do programa não se restringem apenas a dificuldades econômicas, tendo como um dos maiores obstáculos a escassez de mão de obra, algo que pode atrapalhar outros projetos na área.

Desde o acidente na base Alcântara, em 2003, a construção do VLS-1 passa por dificuldades. O governo tentou contornar os prejuízos do acidente fazendo um acordo com a Ucrânia para lançar foguetes Cyclone a partir da base de lançamentos brasileira. Porém, atualmente a parceria parece estar fragilizada, havendo rumores de que o Brasil pretende desistir do acordo que, até a presente data, custou 12 anos e R$ 500 milhões de reais para o país.

O Portal UOL acrescenta que “em termos de percentual relativo do PIB, o Programa Espacial Brasileiro destina dez vezes menos recursos que a Índia e 30 vezes menos que os Estados Unidos. Os norte-americanos detêm 41% do mercado global de satélites, enquanto a participação brasileira é de 1,9%, segundo um estudo feito pela Câmara dos Deputados. No Brasil, os investimentos governamentais a partir do fim da Segunda Guerra Mundial priorizaram setores de infraestrutura e indústria pesada e de bens de produção como mineração e petróleo. Nos últimos dez anos houve um aumento do interesse político no setor espacial, porém há diversas críticas em relação às constantes mudanças políticas, acidentes, atrasos e gasto maior que o planejado”.

Vale dizer ainda que a Força Aérea Brasileira (FAB) contestou a declaração de Golfetto, afirmando que na verdade o desenvolvimento do VLS-1 continuará de acordo com a disponibilidade orçamentária. De toda forma, o cenário do desenvolvimento espacial brasileiro parece continuar frágil, apesar da mensagem de apoio passada pelo governo ao programa em 2014.

Em contrapartida, os EUA acabaram de anunciar uma legislação para apoiar a indústria americana de lançamentos comerciais, incluindo o alargamento das principais disposições da lei vigente.

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