Criador da Silk Road é condenado à prisão perpétua

Ross Ulbricht, acusado de coordenar a Silk Road (uma das maiores redes de tráfico de drogas do mundo) [1] foi condenado à prisão perpétua. A pena mínima que o rapaz poderia pegar pelos 5 crimes que respondia (como lavagem de dinheiro e conspiração para o tráfico de narcóticos) era de 20 anos, mas ninguém esperava que a sentença máxima fosse a escolhida pela juíza. Mais cedo nesta semana, os promotores do caso pediram que a sentença de Ulbricht funcionasse também como uma mensagem para todos aqueles que estão desenvolvendo atividades semelhantes online (como as redes Silk Road 2.0, Agora e Evolution).

Na sentença, a juíza afirma que:

“O principal propósito [da Silk Road] estava além da lei. No mundo que você criou ao longo do tempo, a democracia não existia. Você era o capitão do navio, o Dread Pirate Roberts [nick usado por Ulbricht online] (…) O nascimento e presença da Silk Road confirmaram que o criador da rede se achava melhor que o seu próprio país. Isto é profundamente preocupante, terrivelmente equivocado e muito perigoso“.

Os advogados de Ulbricht pretendem apelar da sentença, baseados em recentes revelações de que dois agentes do Serviço Secreto e do DEA (Drug Enforcement Administration) envolvidos na investigação da Silk Road, supostamente furtaram milhões de dólares em bitcoins do site. Ainda, um dos agentes é acusado de chantagear o rapaz. Em uma carta para a juíza, Ulbricht implorou por uma sentença justa e alegou estar arrependido de seus atos.

Fonte: http://www.wired.com/2015/05/silk-road-creator-ross-ulbricht-sentenced-life-prison/?mbid=social_fb

 

[1] Errata adicionada pelo usuário obvio171 em 01/06/2015:

“Errata: “Silk Road (uma das maiores redes de tráfico de drogas do mundo)” é uma caracterização comum mas incorreta e tendenciosa.

O Silk Road era um marketplace online, idêntico ao Mercado Livre ou eBay, onde pessoas podiam comprar e vender praticamente qualquer coisa, incluindo eletrônicos, vestuário e outros bens e serviços.

Acontece que, como uma solução tecnicamente superior, que preservava mais da privacidade do usuário, o Silk Road acabou muito procurado para alguns fins que costumam ser tabu, alguns que costumam ser ilegais, e alguns que costumam ser ilegais porque são tabu. Isso inclui drogas, prostituição, pornografia e remédios para condições de saúde vexaminosas.

A privacidade a mais, porém, trazia um custo alto de usabilidade que, para itens não censurados nos eBays comuns, não valia a pena.

O efeito de contraste percentual entre as categorias dos itens portanto é apenas um fator do que é vantajoso o suficiente manter privado em um mundo onde a maioria faz pouco da vigilância cotidiana que sofre.

O Silk Road é tanto uma rede de drogas quanto uma companhia telefônica.

Os que não querem usar a linha grampeada que todo mundo usa são obrigados a compartilhar infraestrutura alternativa usada também para crimes, mas isso é verdade também para a companhia telefônica, já que muitos crimes são cometidos sob vigilância. A diferença é que quem funda e opera as linhas de quem não quer dar uma extensão para o governo é assassinado da forma mais demorada possível, enquanto quem funda e opera as redes telefônicas que nos deixam todos sob vigilância não apenas não são acusados por crimes cometidos em seus telefones (pq seria absurdo, certo?) como ainda são presenteados com concessões e monopólios”.

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3 pensamentos sobre “Criador da Silk Road é condenado à prisão perpétua

  1. Errata: “Silk Road (uma das maiores redes de tráfico de drogas do mundo)” é uma caracterização comum mas incorreta e tendenciosa.

    O Silk Road era um marketplace online, idêntico ao Mercado Livre ou eBay, onde pessoas podiam comprar e vender praticamente qualquer coisa, incluindo eletrônicos, vestuário e outros bens e serviços.

    Acontece que, como uma solução tecnicamente superior, que preservava mais da privacidade do usuário, o Silk Road acabou muito procurado para alguns fins que costumam ser tabu, alguns que costumam ser ilegais, e alguns que costumam ser ilegais porque são tabu. Isso inclui drogas, prostituição, pornografia e remédios para condições de saúde vexaminosas.

    A privacidade a mais, porém, trazia um custo alto de usabilidade que, para itens não censurados nos eBays comuns, não valia a pena.

    O efeito de contraste percentual entre as categorias dos itens portanto é apenas um fator do que é vantajoso o suficiente manter privado em um mundo onde a maioria faz pouco da vigilância cotidiana que sofre.

    O Silk Road é tanto uma rede de drogas quanto uma companhia telefônica.

    Os que não querem usar a linha grampeada que todo mundo usa são obrigados a compartilhar infraestrutura alternativa usada também para crimes, mas isso é verdade também para a companhia telefônica, já que muitos crimes são cometidos sob vigilância. A diferença é que quem funda e opera as linhas de quem não quer dar uma extensão para o governo é assassinado da forma mais demorada possível, enquanto quem funda e opera as redes telefônicas que nos deixam todos sob vigilância não apenas não são acusados por crimes cometidos em seus telefones (pq seria absurdo, certo?) como ainda são presenteados com concessões e monopólios.

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