“The Good Wife” explora problemáticas das armas impressas

“The Good Wife” é um seriado transmitido pela CBS nos EUA. Trata-se de uma trama jurídica e política, na qual a protagonista, Alicia Florrick (Julianna Margulies), se vê obrigada a retornar para a advocacia após seu marido (ex advogado do Estado) ser denunciado em escândalos de corrupção. Já na sexta temporada, o seriado é conhecido por mostrar ao telespectador casos jurídicos bem interessantes.

Apesar de este não ser um dos seriados da minha lista, tive que assistir ao episódio intitulado “Open Source”, que trata das problemáticas trazidas por armas impressas. Aproveitei para escrever um post sobre o caso tratado na série para quem não tem ânimo de assistir ao episódio inteiro.

*** SPOILER ALERT ***

O capítulo é surpreendentemente bom (apesar de eu ter assistido apenas o arco do julgamento) e explora um caso muito interessante: um CAD designer disponibilizou o design de uma arma online, no formato open source, permitindo que qualquer pessoa baixe, modifique e imprima a arma em uma impressora doméstica que utilize plástico como matéria prima.

Uma pessoa acaba de fato imprimindo a peça e resolve testá-la com um grupo de amigos. Ao realizar o disparo, a trajetória da bala toma o sentido contrário, ferindo um dos amigos do autor e tornando a vítima paraplégica. O acidentado então resolve entrar com uma ação judicial para tentar reparar os danos sofridos e, por orientação dos seus advogados, a ação foi feita em face do CAD Designer, e não da pessoa que imprimiu a arma e realizou o disparo.

Os advogados optaram por esta tática, como explicado no seriado, devido ao fato de que o autor do disparo era economicamente desfavorecido em relação ao CAD Designer, sendo teoricamente mais fácil para a vítima receber indenização pecuniária ou fazer um bom acordo com o autor do design.

Porém, a situação fica mais complicada quando o caso revela que, por ter sido disponibilizada em open source, a arma poderia ser modificada por qualquer um. Uma pessoa com mãos pequenas, por exemplo, poderia remixar o design da arma, tornando-a mais confortável para o manuseio. No caso do seriado, o autor do disparo de fato modificou a peça, algo que, aparentemente, contribuiu para o defeito causado pela arma.

Fonte: Stateofguns.com

Fonte: Stateofguns.com

Ocorre que, como se já não bastasse, o seriado ainda revela uma nova problemática: a impressora apresentou erros durante a impressão, de maneira que alguns filamentos não foram depositados de maneira correta, gerando defeitos no produto final. Ou seja, o fato do usuário ter remixado a arma não necessariamente indicaria que ele contribuiu para o defeito na peça no momento do disparo; na verdade, uma falha na própria impressora poderia ter dado causa ao acidente. Sendo assim, a “culpa” seria da máquina.

Então, os advogados da vítima optaram por processar também a empresa que fez a impressora, além de manter o processo em face do CAD Designer – ao que parece, por razões políticas, uma vez que este abertamente advoga pela produção de armas plásticas letais, incontroláveis e indetectáveis – alegando que o CAD Designer indicava a impressora defeituosa em seu site.

Ocorre que um perito determina que, na verdade, a impressora do autor do disparo estava dando defeito porque o tubo dela, que deposita os filamentos, estava entupido. Ou seja, o autor foi negligente ao fazer uma boa manutenção de sua impressora, causando uma impressão falha da arma. Os advogados então retiram a ação judicial contra a fabricante da impressora.

Porém, como era *complicado* para os advogados da vítima processarem o autor do disparo, eles continuaram buscando causas para continuar a ação em face do CAD Designer. Assim, descobriram que este sabia que realizar a impressão em baixas temperatura é algo capaz de empenar o plástico e, logo, tornar a impressão falha. Mas, mesmo ciente disso, o Designer não colocou qualquer aviso que acompanhasse o arquivo da arma para download e impressão.

E assim, este acabou sendo o detalhe que comprometeu o designer. Um acordo foi feito entre as partes (5 milhões de dólares) desde que a vítima suspendesse a ação judicial e assinasse um acordo de confidencialidade. Aparentemente, iniciativas privadas estavam interessadas no caso e não queriam que a iniciativa do CAD Designer saísse prejudicada.

O episódio é bastante competente em esboçar as várias implicações que um acidente causado por uma arma impressa pode gerar. Sem dúvida, encontrar o culpado pela falha acabará sendo, na vida real, um dos maiores desafios dessas lides.

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