A influência da política na exploração espacial

Originalmente postado no a redação.

A NASA está chefiando um dos planos de exploração espacial mais ambiciosos da história. Trata-se da tarefa de enviar humanos para Marte até o ano de 2033, em uma missão que poderá gerar gastos de mais de 100 bilhões de dólares ao longo dos anos. Além de levar astronautas para o planeta, a missão também envolve a construção do maior foguete já feito (o “Space Launch System” – SLS), uma cápsula espacial (“Orion”) e um pit-stop em um asteroide.

Se você pensa que as maiores barreiras para a realização desta missão são tecnológicas, errou. A NASA anda encontrando no Congresso norte-americano seus maiores desafios. As dúvidas de políticos sobre alguns passos – e gastos – envolvidos na missão, podem comprometer a conquista do planeta vermelho.

No ano de 2004, a exploração espacial ganhou um estímulo (o primeiro desde 1972, com a missão de Apollo à Lua) através do programa “Constellation” lançado por George W. Bush, que envolvia a construção da Orion e o veículo de lançamento Ares. Devido a problemas orçamentários, Obama teve que encerrar o programa em 2010.

Este projeto, no entanto, gerava uma grande quantidade de empregos – especialmente na Flórida, o que motivou políticos do distrito a impedirem o encerramento total do programa. Assim, o plano original “Constellation” foi modificado por Obama: ao invés de se construir a Ares e pousar em Marte, partiu-se para a continuação da Orion e a construção da SLS (um novo sistema de lançamento), que ganhou novas missões além de ir até o planeta vermelho, como pousar em um asteroide, por exemplo.

O programa possui apoio do governo Obama, mas o Congresso, de maioria Republicana, está cético em relação a missão de pouso em um asteroide: eles acreditam que este plano envolve altos custos, e que a NASA ainda está longe de conseguir desenvolver tamanha tecnologia.

Esta discordância ficou transparente no planejamento orçamentário do governo Obama para 2016; o fundo a ser investido na Orion e SLS teve uma diminuição significativa. Era de se esperar: uma missão planejada para longuíssimo prazo inevitavelmente se tornará vítima de reajustes orçamentários cada vez que uma nova administração assumir o governo. É mais fácil conquistar eleitores prometendo cortes em impostos agora do que fazendo planos para 20 anos no futuro.

À medida que missões espaciais significantes ficam dependentes de iniciativas do governo, torna-se interessante, então, considerar alternativas para que a exploração espacial encontre resultados.

A SpaceX, uma empresa chefiada por Elon Musk (também CEO da Tesla Motors) é conhecida por fazer parcerias de sucesso com a NASA, entre outras coisas. Por hora, Musk está desenvolvendo a cápsula Dragon V2, que em 2017 irá enviar astronautas para a ISS (Estação Espacial Internacional). Outra empresa, Boeing, trabalha em um projeto semelhante.

SpaceX CEO Elon Musk introduces SpaceX's Dragon V2

(Foto: The Westwide Story)

A SpaceX também está trabalhando de forma autônoma em uma missão para, até 2026, enviar humanos a Marte, com a intenção de colonização. A vantagem de uma missão com iniciativa privada ao invés de pública é que, apesar de também esbarrar em questões econômicas, Musk não padece de tantas vulnerabilidades políticas como a NASA.

Importante ressaltar, porém, que não necessariamente atrelar programas espaciais com o governo resulta sempre em resultados demorados: o homem só foi capaz de pousar na Lua, por exemplo, por causa da corrida espacial durante a Guerra Fria.

Seja através de vias privadas ou vias estatais, um dia ainda nos tornaremos reais desbravadores da galáxia. Se em breve ou num futuro distante, vai depender das vontades políticas e das manobras econômicas de empresários. Até lá, ficamos na plateia observando os desdobramentos de negociações que muitas vezes parecem infinitas, tal qual nosso Universo.

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